Segunda feira chegando, mas uma semana de guerra no cotidiano. E, mas uma semana freqüentando a academia. E, é por causa da academia que vou postar agora. O meu treinador na academia, um mineiro, nascido no interior, adora, entre um e outro exercício me “zoar” pelo fato de eu ser paraense. Sempre quando chega alguém novo na academia ele diz: “ei fulano, você já ouviu falar em TECNOBREGA? Essa minha aluna aqui (euzinha) dá aula de tecnobrega”. Ecoando, risos borbulhantes de todos que ouvem.
Uma certa vez, uma menina que estava ao meu lado perguntou, caindo na gargalhada: “O que é tecnobrega? Seria o Falcão (aquele cantor nordestino de broche de flor) dançando música técno?” Eu, naquele momento, não sabia se ria da ignorância cultural dessa menina, ou se chorava de raiva pelo desconhecimento. Logicamente, proferi apenas aquele básico sorrisinho amarelo, e respondi: Não minha cara, “tecnobrega” é um estilo musical peculiar do estado do Pará.
Até ai tudo bem, afinal, uma patricinha mineira, que passa o dia ouvindo o “fank do titanic” e o “axé de Claudia Leite” (é isso mesmo, às vezes me sinto no Rio de Janeiro ou na Bahia, de tanto fank e axé que ouço por aqui), não tinha a menor obrigação de saber nada sobre os estilos musicais da região amazônica, mas para minha indignação, ela respondeu: “a sei, Pará é onde tem aquele negócio de Calypso, que eu odeio e boi de Parintins né?”. Ai foi o meu fim.
O sorriso amarelado deu espaço a um ranger de dentes, a uma voz grossa, e a um olhar esbugalhado. Aproximei-me da menina e falei, com todo calma do mundo: “Boi de Parintins fica no Estado do Amazonas, e não no Estado do Pará. E sobre o Calypso, tu não gostas da banda ou do ritimo?” Ela então respondeu: “Como assim? Não gosto daquela loura requebrando, não é isso que é calypso? Eu, já sem paciência, disse que o calypso era um estilo musical diferente, e que, independentemente, a banda calypso era só um grupo musical que tocava o ritimo de mesmo nome. Foi quando eu, com medo de me queimar com a fumaça que saia da cabecinha daquela menina, que queimava neurônios demais, me afastei.
Outra vez, estava assistindo uma palestra de Direito criminal e a palestrante Paulista, proferiu a seguinte frase: “Esta questão é de um concurso de magistratura do Estado de...Roraima...Rondônia...Pará...Há! sei lá, é tudo a mesma coisa mesmo! É onde toca esse tal de tecnobrega”. Putz...(sem comentários).
Foi então que me vi na necessidade, quase que movida por um espírito missionário cultural, de dizer, afinal, o que o TECNOBREGA, e sua distinção do CALYPSO. Logicamente que a distinção entre os Estados de Roraima, Rondônia, Amazonas e Pará, eu peço que a referida professora volte às aulas de geografia, que com certeza, a muito foram cabuladas.
Assim, TECNOBREGA e CALYPSO são estilos musicais oriundos de uma mesma raiz musical, qual seja o BREGA paraense dos anos 60. Importante aqui dizer, que o ritimo BREGA, não tem nada a ver com o ADJETIVO BREGA ou seja, tudo aquilo que é cafona. Com o passar das décadas, foram introduzidos percussão, guitarra e bateria no Brega, o que hoje se conhece por Calypso. Já o Tecnobrega, é a introdução de música técno, recursos de computação, dentre outras parafernagens que a modernidade pode proporcionar.
Assim, o Calypso é um ritimo caracterizado por bandas, com dois ou mais vocalistas, muito bonitas por sinal (e, não sei, por que, a maioria composta por louras). Sempre com um grande balé de dançarinos semi-nus, com coreografias provocantes e roupas coloridas. É, tenho que admitir que, para quem não está acostumado, pode parecer cafona sim. Principalmente pra quem mora no sul e sudeste. Quanto às letras, são em geral românticas e bem articuladas.
Já o Tecnobrega, em sua grande maioria, não existem “bandas”, sequer conhecemos os cantores, pois as musicas são difundidas nas conhecidas “aparelhagens”, ou “naves do som” (Tupinanbá, popsom, Rubi são as principais). E vou te falar, não existe coisa no mundo igual a isso! É um verdadeiro show de pirotecnia. E quando eu falo que é “nave do som”, é nave de verdade! São metros e metros quadrados de aparelhos, caixas gigantescas, luzes de todas as cores, computadores, dentro de um formato que imita uma nave espacial. E pra quem pretende ir a um show de tecnobrega, recomendo ir de óculos escuros a primeira vez! No centro da nave, sob um pedestal, fica um cara comandado tudo. Já as poucas bandas de tecnobrega, esteticamente, lembram muito o calypso, algumas até misturam tudo, mas o ritimo, sempre é mais frenético (Banda Fruto sensual, banda tecnoshow e banda xeiro verde são as principais).
Agora, um aspecto que me chama atenção é como se dança o tecnobrega. É mais difícil que o calypso e, logicamente, muito mais frenético. Não é qualquer um que dança não!
Abaixo um vídeo de um casal dançando Tecnobrega. (Eles dançam bem...mas eu ainda danço melhor! Rsrs)