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domingo, 15 de junho de 2014

Xamântico

A lei do universo concretiza o infinito
Tão correto, tão sincero, tão xamântico
E o mundo ao rodar escreve todos os caminhos
Improvisos tão previstos, olhar quântico

E os dados vão girando
E o planeta orbitando
A esfera colapsando
E o riso está chorando

E a energia se aproxima
Quando o perfeito perde a linha
A paciência se abomina
O temor se elimina

E ai, simples assim
Eu começo pelo fim
Acordando quando durmo
Dando um grito alto e mudo

Samanta Lemos

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Olha...

Olha, o que posso fazer?
Se minha mente já não é mais digna.
Se minha alma já não se resigna.
Se eu já não posso mais cobrar as dívidas,
das tuas palavras infidedignas.

Olha, como posso caminhar?
Se cortaste as minhas pernas.
Se só vejo estradas desertas.
Se do meu caminho tiraste as setas,
que a outrora tu mesmo fizeras.

Olha, como posso respirar?
Se não escuto mais tua canção.
Se no meu sangue não há mais emoção.
Se não escuto mais meu coração,
que se nega em proferir perdão.

Olha, como posso cantar?
Se tuas músicas só trazem dor.
Se em cada palavra ouço um temor.
Se cada verso me lembram um amor,
que por egoísmo e medo se abalou.

Olha, o que será de mim?
Se meu jardim foi esmagado.
Se só vejo a frente caminhos fechados.
Se as promessas fugiram como ratos,
de um mundo até outrora encantado.

Olha, como posso eu comer?
Se por amor troquei bacalhau por galinha.
Deixaria a cervejinha e água beberia.
E se nada tivesse, fome passaria,
pra cumprir minha palavra de que não te deixaria.

Olha, como posso eu rezar?
Se por ti cortei as asas do meu anjo.
Se virei as costas pro meu santo.
Se meu espirito guia vive reclamando,
que para Deus só causei espanto.

Olha, como posso eu nas pessoas acreditar?
Se me provastes que palavras não têm valor.
Que choro sincero não tem clamor.
Que os olhos nada provou,
E que o amor sincero não adiantou.

Olha, por isso tudo, só posso eu gritar.
Para que tenham cuidado em se dar.
Para que duvidem de brilhos no olhar.
Para que não vejam luar no mar.
Para que não queiram saber o que é amar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MOÇAMBIQUE - Dia da Vitória - 07 de setembro

Não vi tua guerra nem nasci no teu chão,
E nem ouvi barulho do canhão.
Não chorei tuas lágrimas sofridas
e não enxuguei o sangue da tua ferida.

Eu não vinguei teus bravos soldados mortos,
Mas peço a Deus sorte aos teus filhos órfãos.
Eu também não ouvi todos teus gritos de dor,
Mas sinto pelo teu povo um sincero puro amor.

E neste dia tão importante para ti,
quero flores plantadas no teu jardim.
quero regar com água teu chão cru,
ver brilhar muito o teu lindo céu azul.

MOÇAMBIQUE, me acolheste em teu seio,
por ter me dado irmãos fora do berço.
E neste mundo confuso e desmedido,
ouvir VITÓRIA em teu negro alegre sorriso!

domingo, 27 de março de 2011

Ser Globalizado

Às vezes sinto-me demasiado pequena neste mundo tão grande.
As informações me invadem num frenesi constante.

A ambição me esmaga como um elefante.
E o dinheiro parece fazer parte do meu sangue.

Hoje aqui, amanha aculá.
Onde é mesmo o meu lugar?

Sem barreiras, sem fronteiras. Sou um ser globalizado.
Minha bolsa Louis Vuitton, meu tênis nike, meu batom importado...Mas espera, tem alguma coisa errado!

Sou cidadã de um mundo global, porque global é o mundo (desigual).
Mas eu ainda sou um ser individual, cultural.

Sei que estou no mundo e o mundo está em mim.
Mas eu ainda sinto o cheiro do meu jardim.

Sou india, sou branca e sou negra.
Sim, sou brasileira.

Posso ser globalizada como um aço.
Mas novo mundo, das minhas raizes não me desfaço.

Maputo/Moçambique/África, 22 de agosto de 2010.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Não me importo




Não me importo de carregar nas costas um passado tão presente.
De viver traumas que não me pertencem.
De desprezar o futuro evidente.
De hipotetizar o que os outros sentem.

Não me importo se gostam ou não do meu cabelo
ou se alguém se incomoda com meu batom vermelho.
Não me importo de desistir de uma batalha,
quando pelo o que eu brigo, já não vale mais nada.

Eu não me importo de ter pena de ti,
de tua mente e teus atos infantis.
Do teu mundo arrogante e sorridente.
Do teu egoísmo plácido e transparente.

Eu não me importo em ser imperfeita.
De não ter cara de Maria ou Tereza.
De não ser santa como uma velha freira,
ou um diabo frio no calor da caldeira.

Eu, simplesmente, não me importo.

Eu não me importo de ser quem eu (não) sou,
de falar alto, roer as unhas, dar um show.
De ter mil caras, mil gestos, mil jeitos,
de não me preocupar com o que pensam os terceiros.

Também não me preocupo em ser sempre sincera.
No palco, rir de uma tragédia,
e sem motivo, chorar numa comédia.
De esperar ao o que não me espera.

E não me importo de andar na multidão.
Em tropeçar, errar, cair no chão.
Não me importo de viver numa prisão,
quando a chave estiver no meu próprio coração.

Eu, simplesmente, não me importo.

E não me importo em não ter religião.
Em jogar álcool na boca de um vulcão.
E sorrir pra quem me diz um não.
Não me importo, de às vezes, sonhar em vão.

Eu não me importo em ser assim.
Sentir frio no calor, começar no fim.
Não me importo em ler de trás pra frente.
E nem me importo em pensar diferente.

Eu não me importo em ter medo.
Acordar chorando com um pesadelo.
Buscar o amor, no ódio alheio.
Buscar no erro, o meu acerto.

Eu, simplesmente, não me importo.



domingo, 3 de maio de 2009

Mulher, Rainha e Serpente

Deslizar em tua pele.
Perder-me entre tuas vestes.
Sentir o sabor do suor do seu corpo.
Sentir pulsar teu coração antes morto.

Quero teus olhos somente sobre mim.
E cavalgar no teu colo em um jardim.
Quero apertar e morder teu couro nu.
Sentir brilhar teu gozo em ouro cru.

Quero tua mente, louca, indecente.
Poder gritar tesão entre as gentes.
Ver a fêmea de inveja quase morta.
Gritar: Meu macho! Enfrente a tua porta.

Ser Dama na mesa, louca na cama.
Ser seu desjejum, seu almoço e sua janta.
Te fazer rir, mesmo sentindo dor.
Te fazer plantar e colher um louco amor.

Quero sentir teus sentimentos envaidecidos.
Domar leões, tocar fogo em teu circo.
Te fazer um homem forte, domar tua mente.
Te enfeitiçar feito uma rainha serpente.

domingo, 5 de abril de 2009

Impressões precisas do sexto sentido.

Por que me matas a alma, se a muito tua íris já espelha os jardins do purgatório?
Por que ainda sorri, se teu sorriso engana apenas os que não te conhecem?
Mas como poderia eu te julgar?
Não sou santa, nem carmelita, sou o teor da pomba gira.

E tuas palavras? Há tua palavras...Devassas, cantadas, ultrapassadas.
Percorrem os tímpanos dessa pobre mortal. Desigual!
Terá ela os mesmos pecados que eu?
Darás a ela os impropérios de tua mente indigna? Fingida!

Furtar, seduzir, matar. Necessidade, não nego!
E tu? Enganar, desarmar, escravizar. Puro ego!
Eu com a faca, tu com o prego! Não erro!
Ela com medo, paixão e segredo. Acerto!

Meu sexto sentido, por ti não sentido,
Me mostra o rosto da pobre coitada. Enganada!
Pensando que enfim encontrou seu amor. Horror!
Mal sabendo a fria em que entrou. Procurou!
Provocou minha ira nada mais que bandida. Ferida!

Jogo duro, jogo sem dó. Prendo-te num ninho de nós.
E não me venha com bandeirinha de paz. Não penses que és sagaz!
A paz é para os derrotados. A merda com o fracasso!
Tua ilusão pelo macho é minha defesa, velha-ninfeta!

Menina-velha é experiente e guerrida.
Mas ainda não é mãe, não é parida! Não sabe nada da vida.
Só sabe voar, não sabe lutar e não sabe matar.
Não imagina o que o destino lhe reserva. Uma fera!
Levanto minhas armas. Agora é guerra!

sábado, 28 de março de 2009

O (anti) Hino Nacional


Ouviram do palácio do planalto
em um discurso composto por vagabundos.
Onde diziam: Viva o Brasil da liberdade!
Mas na verdade, opressão é realidade.

E nessa hipócrita, sociedade,
o pobre é fraco e quem ganha é o mais forte.
O que queremos é igualdade,
pra não vivermos esperando a própria morte.

Ó patria amada,
és engana,
nos socorre!

Brasil, meu país és iludido.
E devido à ganância tu não cresces.
E enquanto teu real é escondido,
teu coração e o teu povo entristece.

És nobre pela tua natureza.
Teu povo indígena e mulato é grandioso.
Não deixem destruírem a tua pureza.

Terra adorada.
Entre outras mil,
és tu Brasil,
Não te desarmas.
Dos filhos deste solo és mãe gentil.
Pátria enganada, Brasil!

Parte II

Cuidado, pois teu povo é iludido.
Dopado em um sono profundo.
Abri teu olho, és dominado pela "América",
Pelas rédias da metrópole do mundo.

Mas tua glória virá um dia.
Tua juventude não quer mais estes horrores.
Acabaremos com a injustiça.
Pois teus filhos não querem ser sofredores.

Ó pátria amada,
és enganada,
nos socorre!

Brasil tens na Amazônia o teu símbolo,
mas o seu verde não está sendo respeitado.
Tuas matas e raizes são queimadas.
E do teu solo o teu ouro é retirado.

Mas tenho fé que nascerá a tua sorte.
Torcer pra que a glória seja tua,
e não as outros que provocam tua morte.
Terra adorada.
Entre outras, és tu Brasil,
não te desarmas.
Dos filhos deste solo és mãe gentil.
Pátria explorada, Brasil.


Abaetetuba-PA, 01 de fevereiro de 2002.

terça-feira, 24 de março de 2009

Quem és?

Cavalo alado
braços amarrados
em desalento.

Olhos vendados
desatinado
exacerbamento.

Vagando o mundo
a me procurar
no submundo.

Peito sangrando
desatinado
desencontrado?

Mas quem eu sou?

Sou o guerreiro
desarmado
pelo amor?
Quem eu sou?

Sou a abelha
embriagada
pela flor?
Quem eu sou?

Sou a messalina
pela paixão
endireitada.
O que constatas?

Sou o cão fiel
ignorado
pelo dono.
Me chamo abandono?

Sou o filho
parido
frente ao ócio.
Eu sou o ódio?

Sou a esposa
infiel
junto ao amante.
Eu sou errante?

Sou o esposo
infiel
no bordel.
Eu sou o réu?

Sou o palhaço
com o riso
ignorado.
Sou o fracasso?

Não!!
Tu és o reflexo do medo
em desvaneio
indignado
frente ao espelho!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Em transe

A chuva cai docemente,
No silêncio da noite fria.
Imagino Você a meu lado,
aquecendo meu corpo gelado,
carente do corpo seu.

Imagino e fico a sonhar,
tendo tudo o que eu quero,
sentindo o que eu mais venero,
Fundindo meu corpo ao seu.

Minha alma sedenta de amor,
neste desejo me entrego,
e em transe fico a me ver,
tocando e amando você.

Porém, o mais triste de tudo,
é o despertar para o mundo,
onde no dia seguinte,
tudo irá recomeçar.
Olhar para a cama vazia,
é ver que você não está.

Belo Horizonte, 23 de março de 2009.

domingo, 22 de março de 2009

Desabafo de um destino desatinado

DESABAFO DE UM DESTINO DESATINADO

I – Da observação do destino

Filho da puta,
humano-moleque,
No final da curva,
Eu vou te pegar.

Te pego sozinho,
Sem mãe, sem defesa,
Na tua mente escondida,
Saída na há.

Tu te achas grande,
Metido, perverso.
Exacerba sentidos.
Onde tu estás?

O meu paraíso,
É teu medo escondido.
No rio do destino,
Vingança virá!

Caminhas pra frente!
Não olhas pra trás?
Desce daí!
O que ganharás?

Tua origem é teu tudo,
Teu fruto desnudo,
Ignoras futuro?
E teus filhos, pastais?

II – Da advertência do destino

Filho da puta,
Pensais na vida,
Minha labuta é corrida.
Quem te vai defender?

Não te achais tudo,
Pois no teu crepúsculo,
Da terra e do pó,
Tu não podes correr!

Ao teu livre arbítrio,
Assisto sozinho,
E no livro da vida,
Estou eu a escrever.

Eu quieto, calado,
Com os dois pés descalços,
Com medo do futuro,
Quero te ver crescer!

Mas teu deslumbramento,
Orgulho desatinado,
Subiu pra cabeça,
Não te deixa ver!

Que teu coração,
Ficando escuro,
Teus filhos queridos
A quem vão obedecer?

III – Das consequências

Filho da puta,
Quem pensas que és?
Já bebestes as lágrimas,
De quem ignoraste?

O amor da tua esposa,
Já não mais existe,
Lembranças apenas,
Do que destruístes.

No teu livro da vida,
Eu já escrevi,
O grito e o temor,
Dos que tu abandonaste.

Tua alma sem cor,
Teus olhos sem vida,
Espelham apenas,
O que tu plantaste.

Tuas noites, agora,
Sem lua, sem sono,
Soam os pesadelos,
Que tu já causastes.

E hoje tu choras humano-moleque,
Eu bem te avisei o que estava por vir.
E tu não me ouvistes, homem-teimoso
Da tua morte em vida, tu já cansastes?
Mas agora filho: "É tarde!